Por Joaquim Haickel
A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal realizada em 15 de setembro de 2026 ficará marcada como um dos momentos mais constrangedores e degradantes da história da Corte. O prédio não foi depredado por vândalos, como ocorreu em 8 de janeiro de 2023. Desta vez, o dano foi institucional e partiu de integrantes do próprio Tribunal.
Tenho lido e visto postagens que exaltam a capacidade jurídica, a eloquência, a inteligência e a cultura do ministro Flávio Dino, além da liderança que ele assumiu naquela fatídica sessão. É difícil negar essas qualidades quando se observa a forma de sua exposição. O problema aparece quando se examina o conteúdo escondido sob a beleza das palavras.
A fala do ministro pareceu-me impregnada de falácias, meias verdades e afirmações retiradas de contexto, organizadas com habilidade retórica para produzir uma aparência de correção. Era uma construção esteticamente eficiente, mas, em minha avaliação, juridicamente frágil e politicamente orientada para um resultado específico que considero ilegal e injusto.
Se eu tivesse de associar a atuação de Dino a uma personagem ficcional, escolheria a Rainha Má de Branca de Neve: bela, poderosa, mas arrogante, prepotente e convencida de que sua posição lhe permite afastar tudo o que se coloque entre ela e seu objetivo. A comparação não se refere à aparência do ministro, evidentemente, mas ao uso do poder e da retórica para fazer prevalecer sua vontade.
Reconheço que, do ponto de vista dele e em relação à finalidade que perseguia, Dino foi extremamente eficiente. Sua exposição, porém, foi acompanhada por milhões de pessoas. Mesmo sem dominar o juridiquês, muitos espectadores perceberam que ali se formara um bloco disposto a criar obstáculos processuais, distorcer os fatos e adiar seu esclarecimento.
É importante registrar com precisão o que estava sendo julgado. Naquele momento, o Plenário discutia uma questão de ordem sobre a possibilidade de reunião das petições relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O mérito das suspeitas não chegou a ser examinado. Flávio Dino pediu vista e suspendeu a conclusão do julgamento, que apresentava placar provisório favorável à tramitação separada dos casos.
A impressão transmitida por Gilmar Mendes, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, dispostos nessa ordem decrescente de periculosidade e de propensão a malabarismos semânticos e à elaboração de teses falaciosas, foi a de um esforço coordenado para deslocar o centro da discussão, tumultuar o ambiente e retardar uma definição institucional sobre fatos graves relacionados ao caso Banco Master. Em alguns momentos, os quatro davam a impressão de formar uma matilha, agindo de maneira coordenada.
A cena foi ainda mais perturbadora porque alguns ministros pareceram voltar sua força argumentativa contra André Mendonça, que se encontrava praticamente sozinho na defesa da regularidade de sua atuação. Em vez de serenidade, viram-se hostilidade, insultos e grosserias; em vez de esclarecimento, multiplicaram-se acusações, interrupções e teses destinadas a mudar o foco do problema.
Todos que me conhecem sabem das críticas que faço aos posicionamentos ideológicos e políticos de Flávio Dino. Até essa sessão, entretanto, eu o respeitava por defender aquilo em que acredita, como todos têm o direito de fazer. O que vi, porém, foi algo diferente: uma retórica poderosa colocada a serviço de uma interpretação que, a meu ver, distorceu os fatos, enfraqueceu o debate jurídico e agravou a crise de credibilidade do Supremo.
A postura de Dino é tão inconcebível, tão sem sentido e tão descolada da realidade que, em certa altura, ele diz literalmente: “Eu nunca vi um nível tão alto de corrupção no sistema de Justiça do Brasil. O que eu quero dizer é que este é o momento mais corrupto do Poder Judiciário brasileiro”. Se é assim, como explicar qualquer resistência à apuração rigorosa dos fatos? Se a corrupção atingiu dimensão tão grave, a resposta coerente não pode ser dificultar investigações, mas assegurar que elas ocorram dentro da lei, com transparência, imparcialidade e respeito ao devido processo.
Reportagens mencionam um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes, possíveis alterações feitas pelo ministro no documento e contatos entre ele e Daniel Vorcaro, bem como a possibilidade de o contrato encobrir eventual prática de advocacia administrativa e a existência de telefonemas relacionados a uma possível fuga do empresário. Esses elementos ainda precisam ser apurados e não autorizam uma condenação antecipada. Justamente por isso, também não podem ser afastados por manobras retóricas ou discussões processuais capazes de impedir que os fatos sejam devidamente esclarecidos.
A eloquência pode embelezar um argumento, mas não o transforma em verdade. Inteligência e cultura aumentam a responsabilidade de quem exerce o poder; não concedem licença para obscurecer fatos. Depois daquela sessão, minha crítica a Flávio Dino deixou de ser apenas ideológica e política. Passou a alcançar também a maneira como ele emprega sua reconhecida capacidade jurídica quando os interesses de seu grupo parecem estar em jogo.
Depois de ontem, ficou claro que a coerência realmente nunca foi o forte de Flávio Dino. No que ele é bom mesmo é em tentar se impor pelo medo, como a Rainha Má de Branca de Neve.

Dino usou seu poder de argumentação, para embaralhar o processo. O que toda a população brasileira deseja, no momento, independente de posição política, é o afastamento de Moraes, que mantinha relações conflitantes e comerciais com um denunciado preso.
Ministro Flávio Dino, orgulho do povo brasileiro!!!
Eu, disse; do povo brasileiro, não dos bolsobosta americanizados…!!!
O texto transmite muito mais ressentimento contra Flávio Dino do que propriamente uma análise jurídica de sua atuação. A intensidade dos adjetivos, a comparação com a “Rainha Má”, a referência à “matilha” e a tentativa de atribuir intenções aos ministros revelam uma necessidade evidente de desqualificar Dino pessoalmente, e não apenas de contestar seus argumentos.
E talvez esteja aí a principal fragilidade do texto: Dino chegou a uma posição de enorme relevância institucional e passou a ocupar um espaço de destaque no cenário jurídico e político nacional. Para quem já o enxergava como adversário ideológico, esse protagonismo parece ser particularmente incômodo. O resultado é uma crítica que frequentemente parece querer diminuir a pessoa antes de enfrentar suas ideias.
Os argumentos concretos, porém, são bem mais modestos. Fala-se em “bloco coordenado”, “matilha”, “malabarismos semânticos” e intenção de impedir o esclarecimento dos fatos, mas não são apresentadas provas capazes de demonstrar essa suposta articulação. Discordar do pedido de vista ou da interpretação de Dino é legítimo; transformar essa discordância em prova de conspiração é outra coisa. A ironia é que, como sempre acontece nesses casos, o autor acusa Dino de usar a retórica para esconder a fragilidade de seus argumentos, enquanto recorre justamente à retórica para construir seu próprio vilão. O “anjo” colocado atrás de Mendonça e a “Rainha Má” atribuída a Dino não demonstram nada juridicamente. No fundo, o texto parece nascer de uma conclusão política já pronta: Dino precisa ser o vilão, portanto seus argumentos precisam ser apresentados como manipulação. Isso é ressentimento político travestido de análise. Se existe erro jurídico, indique-se a norma violada. Se existe distorção factual, demonstre-se objetivamente. Se existe articulação indevida, apresentem-se as provas. Sem isso, sobra muito ataque pessoal, muita caricatura e pouca substância.
É possível discordar de Flávio Dino. O que o texto não consegue demonstrar é que seja necessário caricaturá-lo para refutá-lo.
Presado Carvalho Neto, posso lhe garantir que não tenho nenhum ressentimento contra Flávio Dino. Quanto ao meu texto, muito mais que uma análise jurídica, até porque sei que tanto o ministro assim como vocês, tem conhecimento muito maior que o meu nesse quesito, ele é uma análise do comportamento da figura pública que ocupa um cargo público que pode e deve ser fiscalizado pelos cidadãos.
Sou um escritor e como Flávio, que usa imensamente bem o vernáculo e a oratória, muitas vezes sendo contundente, agressivo, grosseiro, mesmo que mais que tudo deseje ser um piadista, mas não consegue.
Observe e compare o que disse o ministro naquela fatídica sessão e o que eu digo em meu texto, mas faça isso sem paixão, seja ela fraternal ou política. Se for justo em sua comparação vai ver que a minha “Rainha Má”, e a minha “matilha” estão muito aquém das palavras e das intenções do ministro.
Quanto a sua análise sobre a fragilidade de meu texto, você comete o mesmo e grave hábito de FD e daqueles que para conseguirem sucesso atingem o mensageiro, por não serem capazes de atingir a mensagem.
Os comentários que você faz a meu respeito não coincidem em nada com a verdade. Diferentemente do que você e outras pessoas possam pensar, reputo Flávio Dino como o mais inteligente e competente entre todos os ministros desta composição do STF, e veja eu digo sistematicamente isso. Mais ainda, digo frequentemente que não tenho informação e se tivesse duvidaria muito dela, até que me provassem peremptoriamente que Flávio Dino alguma vez tenha se envolvido em algum ato de corrupção que envolva ganhos econômicos ou financeiros.
Nada tenho pessoalmente contra o ministro. Muita gente inclusive me alerta para o fato de um dia qualquer eu acabar sendo perseguido por minhas opiniões, mas isso eu não temo, pois sei de minha insignificância.
Não tenho e nunca tive estatura para ser adversário de Flávio Dino, pois quando ele ascendeu ao poder eu já não mais fazia parte dele.
Faça o seguinte. Refute apenas um paragrafo de meu texto de maneira coerente e justa. Este:
“…A postura de Dino é tão inconcebível, tão sem sentido e tão descolada da realidade que, em certa altura, ele diz literalmente: “Eu nunca vi um nível tão alto de corrupção no sistema de Justiça do Brasil. O que eu quero dizer é que este é o momento mais corrupto do Poder Judiciário brasileiro”. Se é assim, como explicar qualquer resistência à apuração rigorosa dos fatos? Se a corrupção atingiu dimensão tão grave, a resposta coerente não pode ser dificultar investigações, mas assegurar que elas ocorram dentro da lei, com transparência, imparcialidade e respeito ao devido processo”.
Dino não precisava ser vilão ele escolheu ser vilão. Ele estava ali prestando três serviços. Um para seu comparsa Alexandre de Moraes, ou para seu correligionário, Lula(serviço que saiu pela culatra) e o terceiro para Flávio Bolsonaro (já que o serviço para Lula naufragou).
Eu não fiz caricatura de Flávio Dino. Eu o comparei a um personagem que para ser a mais bela, mata a mais bela. Ele para salvar um comparsa, mata o STF.
O ponto que precisa ser separado é a crítica à fala de Dino daquilo que o senhor conclui sobre suas intenções. No trecho citado, há uma contradição que merece ser discutida, mas ela não autoriza, por si só, concluir que Dino estava “prestando serviço” a Moraes, a Lula ou a qualquer outro personagem. Isso exigiria demonstração, não interpretação. Dino realmente afirmou que o Brasil vive “o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário” e que nunca havia visto tanta corrupção no sistema de Justiça. Portanto, é legítimo perguntar: se o próprio ministro descreve o ambiente institucional nesses termos, quais mecanismos concretos devem existir para investigar suspeitas envolvendo integrantes do próprio sistema?
Mas há um detalhe importante: na mesma sessão, Dino sustentou que eventuais erros de Alexandre de Moraes deveriam ser apurados, porém dentro do devido processo legal, e defendeu que André Mendonça permanecesse como relator por entender que o caso estava submetido ao juiz natural. Portanto, dizer que ele simplesmente “escolheu ser vilão” ou que estava tentando “salvar um comparsa” transforma uma interpretação política em fato demonstrado.
É justamente aí que eu faria a crítica ao seu parágrafo: a pergunta sobre coerência é válida; a conclusão sobre a intenção de Dino é que precisa de prova. Uma coisa é dizer: “Se o senhor reconhece a gravidade da corrupção no Judiciário, explique por que determinado procedimento deveria ser conduzido desta ou daquela maneira.” Outra, bem diferente, é afirmar que sua atuação teve como finalidade proteger um aliado. A primeira é uma cobrança argumentativa; a segunda é uma imputação de intenção. E quanto à “Rainha Má”, entendo perfeitamente a metáfora. O problema não está em usar a figura literária. O problema começa quando a metáfora passa a funcionar como prova daquilo que pretende demonstrar. Comparar Dino à personagem que elimina a mais bela pode ser uma crítica retórica; demonstrar que ele efetivamente “matou o STF para salvar um comparsa” exigiria evidências independentes da própria metáfora.
Em resumo: há espaço para questionar duramente a coerência entre o diagnóstico gravíssimo feito por Dino sobre a corrupção no Judiciário e sua posição sobre o rito daquele caso. Mas, para que a crítica seja realmente difícil de rebater, eu retiraria do argumento aquilo que não pode ser demonstrado — a suposta intenção de prestar serviço a A, B ou C — e concentraria o ataque naquilo que é verificável: o que Dino disse, o que estava sendo decidido e se a solução que defendeu é coerente com o diagnóstico que ele próprio apresentou.
Você não pode imaginar como eu gosto de conversar em alto nível! Você me oferece esse prazer aqui. Mas veja vou usar uma afirmação sua para demonstrar meu ponto de vista: “Em resumo: há espaço para questionar duramente a coerência entre o diagnóstico gravíssimo feito por Dino sobre a corrupção no Judiciário e sua posição sobre o rito daquele caso”. Dito isso, nada mais precisa ser dito. A minha metáfora é mera e banal literatura. Ao focar nela você tenta fazer o mesmo que Dino: Colocar em pauta o acessório para tentar tirar o foco do principal, pois focando nele, você assim como o ministro, perdem completamente seus argumentos. Façamos o seguinte, vou passar a comparar o ministro com a própria Branca de Neve, se e somente se ele reconhecer que a rainha má não deveria ter envenenado a Branca de Neve, ou seja, que o ministro diga que que Alexandre de Moraes deve ser investigado.
Também aprecio esse prazer recíproco de um bom debate — sobretudo quando há disposição para confrontar ideias sem transformar divergência em ofensa. É justamente por respeitar o nível da conversa que volto ao ponto central.
Você mesmo reconheceu que “há espaço para questionar duramente a coerência” entre o diagnóstico de Dino sobre a corrupção no Judiciário e sua postura diante daquele caso. Minha metáfora é apenas literatura. Insistir nela é discutir o acessório para escapar do essencial.
Então vamos ao que realmente importa: se existem elementos que justifiquem investigar Alexandre de Moraes, que se investigue. Se não existem, que se demonstre objetivamente por quê.. Porque princípio que só funciona conforme o personagem deixa de ser princípio e vira conveniência.
Portanto, deixemos a Branca de Neve de lado. A pergunta é direta e não aceita contorno retórico: você defende o mesmo rigor de fiscalização e investigação para Alexandre de Moraes que defende para qualquer outra autoridade? Se sim, diga claramente. Se não, explique a incoerência. É essa resposta — e não a metáfora — que o debate está cobrando.
Ô cacetada segura, essa que você deu na Mãe Nagiba.
Joaquim tira do prumo os babas ovos do Rocambole kkkkkk
A inveja, rancor, odio e tudo de ruim que os bolsominions carregam escorrendo pelos labios, tintas da caneta, teclado do computador. PARABENS AO NOBRE MINISTRO FLAVIO DINO. ORGULHO DO MARANHÃO. Ministro Dino escancarou para o Brasil, o que o OVO DE SERPENTE bolsonarista do Andre Mendonça, aprendiz ya pior linhagem do juizeco Sergio Moro, estar tentando influenciar no processo eleitoral. Mas o povo brasileiro nas urnas e o NOSSO MINISTRO, não vão deixar a extrema direita golpista tomar o poder. Ao mãe Nagiba, cabe apenas o ostracismo da política e saber que nunca, nunca, mas nunca mesmo vai chegar onde Flavio Dino chegou!!!!!!